quarta-feira, 17 de julho de 2013


Na normalidade das coisas, quase sempre consigo ter o regresso a mim que procuro.
Nem tudo me convida a regressar ao ponto de partida...mas o que tinha como essencial tendo ficado tão lá atrás me prende a quem eu era,aos sonhos,aos domínios,aos estados de alma.
E em tudo o que sinto falta,vejo-me tão distante.
Questiono as minhas opções,as alternativas que tinha diante de mim e ainda assim os caminhos tomados...

Hoje, percebo que não vivo de lamentos,nem quero.
O desperdício do tempo prende-se com as más gestões de pessoas enquanto recursos.
Existem domínios que não merecem recordações porque não nos demonstram a pessoa que fez algum do percurso connosco,demonstram-nos apenas o quão ridículos fomos e o quão nos deixamos estupidificar a determinada fase do processo.
E a facilidade de culparmos a existência do outro torna-nos seres miseravelmente ainda menos capazes de resposta.
A ter-me sido questionado na altura o quão desesperadamente eu precisava de associações,a minha resposta teria sido clara e fazia de mim espelho.
E eu que me considerava alheia a carências soberbas!
Não não , sou exactamente reflectora do mais comum dos mortais.
O meu único consolo,ainda que me continue repetidamente a estudar para tentar dar sentido ao que de sentido nada teve,é que tudo isto ficou tão lá atrás e tão bem resolvido.
E tendo vivido, é certo, não me facultou nenhuma destreza adicional às que conquistei por mim.
Deu-me foi a percepção que a palavra Nunca não deva Nunca ser substimada,porque quando nos domina deturpa-nos sensações e esmaga emoções.
Faz de nós seres completamente alheios a quem somos integralmente.


Eu quis-me autónoma,quis-me desvinculada das minhas carências associadas a outras,não me quis solta do que tinha conquistado ainda que vivendo por dentro da minha consciência enquanto existência.
Mas agarrei-me a tudo o que era deturpado,tudo o que de solidez nada tinha e de projecto pouca substância desenvolvia.
Quis colmatar a falha alheia por ser preenchida de medos,por ter cismado na ausência do outro.
Sobretudo por supor  e assumir que as coisas só chegavam até onde o meu controlo as deixava ir.

E é nesses enganos que me vejo em metade.
E eu gosto de me saber do ínicio ao fim, e no que em mim é metade,gostava de poder olhar para o lado e fingir que não é nada comigo.
Porque a metade abre sempre precedentes a dúvidas,dá demasiado alento ao que tenho em mim de incerto.
Mas sei ver-me dentro do incerto de forma a querer certezas para me desvincular do que pretendo alterar em mim.
E ainda que completamente consciente das alterações a que me quero propor há sempre algo que me retrai e me faz balançar entre o que em mim é inteiro e metade.
Na metade preciso de compensações afectivas,no inteiro prescindo disso mesmo por considerar que o que tenho é exactamente o que preciso.
Mas continuo a dar colo à metade, continuo a questionar-me enquanto ser dentro da minha metade,provavelmente continuarei a fazê-lo sistematicamente por não confiar em pleno no que de inteiro considero que tenho.
E tudo o que sejam questões existenciais desperta em mim debates acesos capazes de ditar sentenças infrutíferas,de todo.
Isto porque sei onde vivem as minhas incongruências,onde a alteração fazia todo o sentido.
E talvez peque por não me assumir como um todo,mas a fazê-lo faço-o de forma a que apenas eu sinta as repercussões das minhas falhas.
Porque nem em tudo,eu quero envolver o mundo dentro do meu.
Enquanto não tiver colmatado as faltas intrínsecas não tenho por necessidade incluir os demais,mesmo sabendo que vou  precisar sempre de alguém...repetidas vezes!

Gostava só, e enquanto não se paga imposto sobre o sonho, de sentir que ainda assim,bem ciente das minhas imperfeições consigo ir mais além de...
E ainda que não dê tradução ás ínfimas indefinições que tem mais contorno e cor do que a minha própria existência, agrada-me a ideia de me insurgir contra as inúmeras falhas que ainda me vão caracterizando,querendo eu assumi-las como minhas ou não.

Isso já é um critério meu, mas como vivo de mão tão bem dada com a consciência, reconheço essas faltas e sei lê-las naquilo em que se traduzem...!

Pelo menos o passo da responsabilização, está dado.
Só falta a cura!







8 comentários:

Mel disse...

E até a tua metade é linda!

:D

Betania disse...

Não deixa de ser uma metade, Mel.:D

Mel disse...

Quando é cheia de beleza, que diferença faz?
Bé,falhas?
Mostras-mas ,um dia?

Steven disse...

Hum, esclarece-me só uma dúvida;
A que metade ou incongruência te estás tu a referir?
Deves andar com isso bem disfarçado,com toda a certeza.
Deixo-te com a letra do Soul,só porque eu sei que tu amas!
Quem é amigo,quem é?
Gosto tanto de ti,miúda,se ao menos soubesses :D!

"Don't you ever feel like
You ever gotta worry about my feelings changing for you over time
cause when i say i care, i mean it

So when the world
and all the odds are against us
you won't ever have to question
the answer is yes

I'll still think you're beautiful
cause i'm also attracted to what's inside of you
when you start having some doubt's about if this love would last
The answer is yes

Now if you ask me will i go
when you need me the most
the answer is no
I'm dedicated to you


A esta hora já temos lagriminha nos olhinhos da Bé*!

LY


Betania disse...

Steven,m'a man!
Incongruências não me faltam.
Tenho-as em sobra,vou é reconhecendo isso mesmo.
Deixa-me tentar ser breve,porque eu considero sempre que nos meus posts sou sempre evasiva de mais e quero sempre depois,acrescentar algo mais e dessa forma mostro mesmo que de resoluta muito pouco tenho.

Quanto ao Soul,é inegável estou apaixonada,sabes que esta música não me sai da cabeça?
É qualquer coisa de extraordinária!
Não há lágrima mas anda-se lá muito perto.

LY***

Anónimo disse...

Bé,ando dominada já pelo Soul.
E agora o Eric Bellinger?
Tu e a nigalhada, valha-nos!
Quanta à tua metade,eu estou com a Mel e o psycho Steven mas entendo o que queres dizer.
Percebo as dúvidas e as incertezas(como eu tenho saudades das nossas conversas filosóficas,de te ouvir falar sem pausas,de me embrenhares nessa tua capacidade de nos conseguires envolver.
Consigo até sentir o que é teu como meu,até porque me transportas para um mundo do qual nunca quero regressar,ISTO PARA TE DIZER QUE TENHO SAUDADES TUAS!)
Mas por favor,deixa-te de dúvidas(aposto que sei o que me vais dizer,vou poupar-te " faz parte de quem sou")
A tempestade passou,tu sobreviveste como era de esperar.
Só queria ser um bocado da metade com que te defines.
Achas que dá?xD
Amo-te mulher,ficava aqui horas a ler-te e reler-te para me certificar da benção que tu és na minha vida.

Me liga,viu?
Tenho saudades tuas,
Marina




Betania disse...

Babe,eu ligo-te sim ando num frenesim mas não há desculpas.
Deste a resposta por mim, que amor :D :D :D.
Também tenho muitas saudades tuas,menina.
Vou fazer por arranjar mais tempo,tu já me conheces não é mesmo por mal ou porque me esqueça mas há hora que estou mais disponível é impensável ligar-te porque não ias gostar :D!
E esta tenho sido eu a respeitar-te,mas sim está mais do que prometido.
"As metades de nós mesmos" tema polémico,este!?

Também te amo,babe.
Cuida-te.
ps- deixa a "nigalhada" tal e qual está,pelos vistos nem tu te tens mantido isenta!;D

Anónimo disse...

Amo-te mulher*!